quinta-feira, 19 de junho de 2014

SER MÃE

E lá estava ele impassível
A fitar o impossível
Sonhando um dia chegar.
Mas, eras tão criança, Zé, tão pequenino,,,
Eras tão criança prá sonhar...
Sonhar... sonhar...Zé! acorda!
Zé filhinho, vem deitar!...

Sair...sair prá quê?
Deita
r, dormir...que coisa incômoda,
Zé preferia morrer a sair
Zé tinha, tinha que ver...

O dia passava, e, à noite
Como uma sombra na sombra
Lá ficava Zé, sempre impassível
A fitar a imensidão do céu
O sussurrar do vento
A sentir o balouçar das flores
E a dizer em sofrimento:
"Papá, Ppá...vem prá cá!"

Ai! pobre Zé, pobre criança humilde,
Pobre vida miserável vida
Pobre escarro de um ébrio qualquer...
Aquela alí, tão triste a fitar
                                   no horizonte
Um homem magro e um madeiro
E atrás dele um mundo inteiro
A gritar: "Matemo-no!",

E a mãe do Zé que nada via
Gritava da cozinha aflita:
"Ze, filhinho, vem jantar...
Cê precisa de comer...
Zé, Zé,...tu vai morrer...
Não vê que ele não vem?...
Zé, filhinho, vem comer!"

Mas Zé nada mais escutava
Nada mais ouvia, nada mais falava.
Zé parou de vez, e dos lábios
Apenas um sorriso de adeus,
                             Deixou prá nós.

Dos olhos do Zé o cristalino brilho
Revia cenas de morrer:
Zé viu o pai sendo crucificado
Zé viu o olhar do pai, tão magoado
Zé viu seu pai chorar sem ninguêm vê.

Zé viu, Zé viu, sim,,,
E Zé, tão pequenino então, morreu de medo
E se escondeu da vida prá fugir dos homens:
Os mesmos homens que mataram o pai.

Hoje é a mãe do Zé que anda assim, aflita
Buscando o pai aparecer
E trazer seu filho que a deixou sozinha
Prá brincar de se esconder.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

PARA MEU AMOR, LUCIA

Aliei-me a ti, coração
Para que a minha vida
Não tenha mais solidão,

Sou um sonhador, e como tal
Fui buscar no infinito algo impossível:
                                              Voce.

Hoje partilhamos juntos a mesma vida
A mesma cama, as mesmas carícias...
           As mesmas confideñcias.

Fiz de ti a água que mata a minha sede
Minha sombra em dias de muito sol
Meu descanço em dias de cansaço e,
Minha alegria nos momentos de tristeza.

voce, coraçao, é o  "eu" que me faltava,
O motivo da minha própria existencia.

Junto a ti, meu Deus me fez mais forte.
E quando não houver
Mais luz no fim do túnel
Olharei teus lindos olhos e prosseguirei, com fé e feliz
                                        Pois sei
Que nunca estarei sozinho.

E assim, quando passarem os dias de tormento
E a luz então brilhar no firmamento,
Darei graças aos céus, por tão lindo momento
E te abraçarei feliz, porque te amo.

E ontem, completamos 25 anos de casados
E te mandei  de presente milhões de abraços e beijos.
Se nao chegou é que o carrinho do papai Noel não suportou o peso e quebrou.
Portanto, paciencia. Te amo.


OS OLHOS MEUS

Dos meus olhos uma lágrima
Desceu veladamente
          e triste
molhou os olhos meus.

As menins dos meus olhos
Antes alegres, contentes
Choravam penosamente
Um amor que não nasceu.

Ai! olhos pobres cansados e oprimidos
     Nunca os vi tão tristes, tão sofridos
Pobres olhos cansados e oprimidos.

Nenhuma luz a mais os alumia
     Nada mais os faz ficarem  contentes
     É como se morressem de insônia
     Ou de uma qualquer febre intermitente.

Nunca os olhos meus ficaram tão mais
                                       Tristes...
        Nunca o brilho deles por alguém cedeu
       Como cede hoje, como cede agora
       Por um amor que jaz, aqui, no peito meu.

Não adiantam as cores de vida
       Não adianta do pássaro o cantar
       Não adiantam os afagos da amante
       Nem o desejo da carne a chamar.

Nada tem mais sentido nesta vida
       Se o amor verdadeiro está ferido
       Só se alegrarão meus olhos tão sofridos
       O dia em que o amor for convivido.


A DIFERENÇA DO BEIJO


UM DIA ALGUÉM PERGUNTOU
QUAL SERIA A DIFERENÇA
DE UM BEIJO COMUM
PARA UM BEIJO DE AMOR.

E EU RESPONDI
QUE UM BEIJO COMUM
NÃO POSSUI A DOÇURA
NÃO NOS TRAZ EMOÇÃO
COMO O BEIJO DE AMOR.

UM BEIJO COMUM
NÃO NOS DÁ PLENA FELICIDADE
NÃO NOS DEIXA SAUDADES
COMO O BEIJO DE AMOR.

UM BEIJO COMUM
NÃO NOS FAZ FLUTUAR
NÃO NOS FAZ PAIRAR NO AR
A ALGUNS CENTÍMETROS DO CHÃO.

SOMENTE O BEIJO DE AMOR
PREENCHE OS CINCO SENTIDOS
E FICAMOS TÃO EMBEVECIDOS
QUE NÃO SENTIMOS NEM DOR

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

PÁSSARO DO TEMPO

Eu sou um pássaro
Que no céu deserto
Viu o chão aberto
Vu fogo sem fm.

Eu sou um pássaro
Que d'uma núvem escondida
Viu Deus com a mão erguida
Fazendo a via sugir.

Eu sou um pássaro
Que da linha do horizonte
Avistou um vulto errante:
Caim fugindo de si.

Eu sou um pássaro
Que d'uma colina de flores
Viu o Cristo dos amores
Pregando o nome do pai.

Eu sou um pássaro
Que d'uma floresta
Viu homens nus fazerem festa
Para o seu descobridor.

Eu sou um pássaro
Que na Africa escura
Viu negros serem caçados
Para trabalhar na agricultura.

Eu sou um pássaro da terra.
Vi a primeira Guerra.
Vi a maldade surgir.
Vi Hitler nascer
Fazer a segunda guerra
E a morte o consumir.

Vi o Japão assolar o Oriente
Vi aviões, vasos de guerra
Sangue e corpos sobre  as pedras
Vi o irmão se consumir.

Vi a maior bomba ser lançada
Vi Hiroshima arrasada
Vi Nagasack inexistir.

Vi findar a segunda guerra
Vi paz aqui guerra ali.

Sou um pássaro da terra
Uns me chamam tempo
Outros me chamam hera
Eu sou o passado e o porvir.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

CARTA SOLIDÃO -1980 ( custou, mas hoje sou feliz com ela

Juazeiro, 14 de janeiro de 1980

Ressoam-me amargas no pensamento
(Não é de tristeza que escrevo lendo)
Aquelas palavras tão cruéis prá mim
Que você falou assim tão friamente
Fazendo dos meus lábios a cor fugir:
"Namoro com qualquer um, menos com ele"
Foram palavras para me matar
Fugir de mm todas as esperanças
Uma frase dura que me fez gelar.
Agora, neste quarto um tanto escuro
Ambiente propício aos que tem dor
Eu via alguém beijá-la falsamente
E tu correspondias...correspondias, amor.
Hoje, me despeço com um adeus simples
Porque nestas linhas não dá prá contar
A desesperança que tive da vida
Ao prender meu peito neste teu olhar.
Adeus, amor.