Meu amor, linda donzela
Em peixe se transformou
Nas água do São Francisco
A correnteza levou.
Ainda hoje a procuro
Entre os bancos de areia
Entre as rochas milenares
Entre redes que asteias.
Ela foi vista algum tempo
Cantando triste canção
E o rio apaixonado
Transbordou de emoção.
Dizem que quando ela canta
Entorpece o pescador
E é tão bela a melodia
Como o riso de uma flor.
Meu amor linda donzela
Em peixe se transformou
Nas águas do São Francisco
Em deusa se batizou.
Dizem que a donzela canta
Noite e madrugada adentro
Canta ao despontar do sol
Canta ao acordar do vento.
Ainda hoje a procuro
Cantando triste canção
Nos dedos levando rosas
No peito minha emoção.
Ela foi vista algum tempo
Pelos lados da Bahia
Solitária ela cantava
Solitária ela sorria
E erguendo aos céus os braços
Reluzente se fazia.
O pescador que a visse
Nunca mais a esquecia
No rio ficava ele horas
Sem saber prá onde ia.
Eu não tinha esperanças
De mais encontrá-la um dia
E no céu contava estrelas
Vendo se a esquecia.
Ela surgiu de repente
Como desponta uma flor
No silêncio ribeirinho
Uma canção ela cantou.
Música celeste
Tal qual ela em minha frente
Seus olhos esverdeados
Fitavam-me diretamente.
Quando ela cantava eu chorava
Quando ela parava eu sorria...
Assim passou a noite
Assim raiou o dia.
Foi sumindo água adentro
E meu peito suspirou
Por ver que tinha perdido
Para sempre o meu amor.
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