quarta-feira, 6 de abril de 2011

POEMA DE PESCADOR

Meu amor, linda donzela
Em peixe se transformou
Nas água do São Francisco
A correnteza levou.

Ainda hoje a procuro
Entre os bancos de areia
Entre as rochas milenares
Entre redes que asteias.

Ela foi vista algum tempo
Cantando triste canção
E o rio apaixonado
Transbordou de emoção.

Dizem que quando ela canta
Entorpece o pescador
E é tão bela a melodia
Como o riso de uma flor.

Meu amor linda donzela
Em peixe se transformou
Nas águas do São Francisco
Em deusa se batizou.

Dizem que a donzela canta
Noite e madrugada adentro
Canta ao despontar do sol
Canta ao acordar do vento.

Ainda hoje a procuro
Cantando triste canção
Nos dedos levando rosas
No peito minha emoção.

Ela foi vista algum tempo
Pelos lados da Bahia
Solitária ela cantava
Solitária ela sorria
 E erguendo aos céus os braços
Reluzente se fazia.

O pescador que a visse
Nunca mais a esquecia
No rio ficava ele horas
Sem saber prá onde ia.

Eu não tinha esperanças
De mais encontrá-la um dia
E no céu contava estrelas
Vendo se a esquecia.

Ela surgiu de repente
Como desponta uma flor
No silêncio ribeirinho
Uma canção ela cantou.

Música celeste
Tal qual ela em minha frente
Seus olhos esverdeados
Fitavam-me diretamente.

Quando ela cantava eu chorava
Quando ela parava eu sorria...
Assim passou a noite
Assim raiou o dia.

 Foi sumindo água adentro
E meu peito suspirou
Por ver que tinha perdido
Para sempre o meu amor.

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