quarta-feira, 6 de abril de 2011

DORES DO MUNDO

Queria sentir aqui neste meu peito
Todas as dores que o mundo possa dar.
Queria sentir nas dores de Ruanda
Todas as facadas que possa levar.

Queria eu, ser a mulher degolada...
Queria sentir a dor da morte em mim.
Queria ser aquelas crianças indefesas
Jogadas ao rio para ganharem o fim.

Queria ser também o pai que se enforca
Por não suportar seu lar, que a fome invade...
Queria cair inocente na cadeia
E vezes mil morrer, sem liberdade.

Queria ser também aquele velho esquálido
Na sarjeta caído, jogado, sem lar
Abandonado pelo Estado e pela família
E que nem no asilo conseguiu lugar.

Tudo queria eu suportar, se fosse um deus
E nos meus ombros carregar toda desgraça
Mas sou apenas um ser sem expressão
Impotente às amarguras desta raça.

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